domingo, 16 de dezembro de 2007

Batman sem Robin



Depois de vários meses sem aparecer por aqui, resolvi voltar e reabrir o armazém.
Nunca o abandonei, apenas me fiz ausente por alguns meses.
Voltando agora de cara nova, e espero poder escrever alguns textos bacanas.
Para reabrir irei postar um dos textos que eu mais gostei de ter escrevido, apesar de não gostar muito do tema chave, é que alguns acontecimentos recentes me fez relembrar o momento passado. Bem vindos ao ARMAZÉM!!!!
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Não chega a ser nenhuma analogia a dupla dinâmica Batman e Robin, mas as comparações eram inevitáveis...Dia desses me ligou um amigo do colegial. Cheio de cobranças pro meu lado, que eu era um desnaturado, questionando como eu poderia ter esquecido a data de nascimento dele 06/03/1981, e logo não lhe dei os parabéns.Há uns 15 anos, nós éramos tão amigos, tanto quanto Batman e Robin, nossos apelidos. Onde chegávamos era um tal de Robin pra cá, Batman pra lá...Onde um ia, o outro automaticamente lá estava. Colégio pela manhã, Educação Física a tarde, fins de semana sempre um ou outro churrasquinho, convites jamais nos faltavam. Havia se tornado um homem não tão alto, fazia pose demais, bebia demais, fumava demais e hoje trabalha não sei lá com que, última vez que tocamos no assunto, nem soube explicar direito, preferi deixar de lado então.Outro que reapareceu, foi o Arthur. Amigo do tempo em que trabalhei no Mc Donald's. Com esse aprendi muitas coisas, também gazeávamos bastante. Até hoje me lembro dos nossos tempos de caixa no Mc Donald's, de nossa rivalidade, sadia, para ser o nº 1 e, dos ensinamentos ( nem sempre recomendados ) que me fez, como por exemplo, passar lanche de graça para amigos.Éramos como irmãos. Fazíamos nossas falcatruas, (não, não matamos ninguém e tão pouco roubamos o Banco Central de algum Estado da Federação). Chegamos a ficar uma vez com a mesma garota, Juliana, nada grave, nem de longe abalou nossa amizade, até nisso nos entendíamos.Hoje em dia fiquei sabendo que trabalha carregando caixas, que ainda não terminou o Ensino Médio e, que infelizmente não perdeu a péssima mania de "ganhar dinheiro de forma ilícita". A última vez que nos vimos, preferia nem tê-lo visto, tentou comprar, no estabelecimento onde eu trabalho, um celular, para ser exato um W810i Sony Ericsson, e infelizmente queria pagar com um cartão clonado. Versos do texto "Vestida de Preto (Mário de Andrade)", me vêem a memória - Fiquei estarrecido olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter pena de mim - E não tinha mesmo.Ele me ligava até então, com umas insinuações do tipo "poxa você está num emprego bacana", "claro você conhece tantas pessoas", " você bem que podia arrumar uma bocada dessa para mim também." Tentei ajudar, mas a verdade é que ele se transformou num ser insuportável e eu não quero mais ser amigo dele. O que fazer? Sair assim, abandonar meus melhores amigos na adolescência.Na vida a gente anda pra frente, estou voltando para minha faculdade, trabalhando bastante, ganhando uma graninha, conhecendo pessoas que estão me ensinando o que é um bom restaurante, bom livro, bom filme. Enquanto isso o Arthur e meu amigo do colegial, parecem até que pararam em uma data qualquer do ano de mil novecentos e noventa e tarará. Nunca ouviram falar em Joss Stone, tão pouco em Damien Rice.Nessa hora eu me pergunto, que assunto vou ter com essas pessoas. Quando ainda comparecia em alguma data comemorativa, fazia um esforço tremendo para poder suportar aqueles olhares me julgando o "traidor da paródia". Não quero mais passar por isso, mas também é difícil ignorar amigos marcantes.Os meus amigos de hoje foram aparecendo, talvez vieram para ocupar um lugar que acabou ficando vazio. Com eles que eu rio, que conto minhas alegrias e tristezas. Mas o que faço com os outros que se perderam no tempo? O que fazer com os íntimos que se tornaram estranhos?Apenas sinto saudades do tempo em que tudo era simples, onde Batman e Robin combatiam juntos, tudo que fosse maledicências, e juntamente com o Arthur, andávamos pelas noites de Brasília sem rumo, íamos sempre parar em algum lugar divertido .Tenho saudades daqueles amigos e de mim também, que julgava menos e era muito mais feliz.

(imagem site: quadrilatero.weblogger.terra.com.br)

1 clientes satisfeitos:

Cleisson disse...

Parabéns pela volta! hehehe
Como eu não comentei da primeira vez, comento agoooora!
Quem é Joss Stone e Damien Rice? Brincadeira, rs. Realmente é um tema complicado, porque todos nós criamos vários vínculos com diversas pessoas e esses vínculos se desenvolvem com o tempo, e alguns acabam enfraquecendo nesse meio tempo. Nossos amigos, parentes, não 'evoluem' na mesma proporção e na mesma intensidade que a gente, e cabe a nós mesmos tomarmos a decisão de investir na amizade ou não, o que não deixa de ser um julgamento da nossa parte também, assim como pensamos que somos julgados por eles porque mudamos... rs