Nunca tive depressão. Não sei o que é isso. Mas pessoas muito próximas de mim tiveram, têm...Sei bem avaliar o tamanho da encrenca. E, pior, o tamanho enorme do preconceito em relação a todas essas doenças ditas de cabeça.
Você vira o louco, quase que uma pessoa em que não se pode confiar. Parece que está daquele jeito porque quer, porque não se controla, porque é incompetente para administrar sua vida...
Pensa comigo: se a pessoa tem diabetes, por exemplo todo mundo tem cuidado, compreensão, ajuda a cuidar; nego ou branco não é julgado em praça pública e condenado sem defesa.
Parece incrível que com toda a overdose de informação que temos hoje em dia, com toda a suposta evolução do conhecimento, a gente - nesse departamento - ainda se comporte como uns bárbaros ignorantes. ( Se fosse só nesse departamento, ótimo né? Enfim...)
Sei que, além de achar tudo isso um absurdo, penso que uma certa dose de loucura é fundamental na vida. Claro que não estou falando de sofrimento, de doença, de dor, mas sei que você me entende...
De perto ninguém é normal e ponto. Um pouco de loucura, uma loucura bem dosada, balanceada, é básico para sobrevivência nessa nossa selva do dia-a-dia; é fundamental para a gente conseguir desligar, viajar, entrar em outra. E para segurar a onda...Só com loucura, amigo! Para poder rir sem culpa, para poder valorizar o que nos acontece de bom. Até porque, indo por outro caminho, lucidez e loucura estão ali, né? Grudadinhas, uma na outra!
O que eu quero dizer? Já disse: Abaixo qualquer tipo de preconceito. E viva a loucura nossa de cada dia, que nos salva. Você é normal? Então já não confio em ti!
No armazém você pode aparecer quando bem entender. Diferente dos demais que por aí existem, esse aqui funciona 24 hrs, de domingo à domingo e terá sempre uma mercadoria fresquinha na prateleira esperando por você.
terça-feira, 20 de março de 2007
terça-feira, 13 de março de 2007
Conte contigo.
Uma cena de BELEZA AMERICANA me impressionou particularmente. O filme todo me fascinou, aliás. Tenho que vê-lo de novo. Acho sublime, comovedora aquela busca desesperada e vã do homem pela juventude perdida. Mandar para o lixo a carreira bem-comportada depois de uma conversa franca com o chefe dilbertiano e ir trabalhar numa lanchonete, sem metas e cobranças que fossem além de entregar com um sorriso o hambúrguer para o freguês. Comprar um carrão imprestável lindo de 20 anos atrás apenas para realizar um sonho que ficara lá longe num mundo que se perdera. E correr atrás de uma garota como se fosse, ele próprio, um garoto, e não um homem vencido pelo correr dos dias. Braços remando contra a correnteza, como escreveu Fitsgerald no final de Gatsby. Somos condenados a remar contra a correnteza, e só não encerro esta digressão aqui porque me ocorre uma frase cortante como a espada de MUSACHI, o maior dos samurais: o tempo nos tira as certezas que temos na juventude e, ao perdê-las, vai com elas uma ousadia petulente que é a maior das maldades do tempo, ainda que as certezas fossem, todas elas erradas. Mas era sobre a cena da primeira sentença que eu queria falar. A mãe frustada, que imagina encontrar a resposta para um casamento miserável nos braços de um amante engomado, diz para a filha depois de uma briga conjugal que terminou com pratos lançados na parede: "Você aprendeu a maior de todas as lições. Você aprendeu que tem que contar apenas com você mesma". Temos que contar com nós mesmos, e no entanto quase sempre depositamos nossa felicidade (ou nossa infelicidade) nos outros. Ninguém pode nos ajudar se nós próprios não nos ajudamos. Ninguém mesmo: nem a mãe, o pai, o amigo, o irmão, a namorada ou a mulher. Ninguém. Vivemos num mundo em que a solidão é tratada como um anátema um estigma, um mal a evitar. Um grande homem da Roma Antiga disse que jamais estava menos só do que quando estava só, entregue as reflexões. E no entanto poucas coisas nos enchem de tamanho horror quanto a solidão. É porque não contamos com nós mesmos - estamos sempre fugindo de nós mesmos. A única coisa que temos sob controle somos nós. Nossa mente e nossas ações.
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